Tuesday, 15 December 2015

Estação III

Próxima estação: Sé - Desembarque pelo lado esquerdo do trem. Eu me perguntei se a moça repete toda vez o nome das estações ou se é apenas uma gravação. Desembarque se puder na Praça da Sé. São exatamente 17h17 minutos e eu decidi fumar um no centro da cidade velha antes de ir trampar.
Uma par de bicho cruza comigo pedindo isqueiro, cigarro, fósforo, latinha, canal, becos, nomes.
Faço cara de mal, coloco as mãos no bolso e tento parecer cruel.
Próxima estação, Largo da Batata. Achei um ambiente muito pesado pra fumar um no centro da cidade. Cheio de power ranger pra cima e pra baixo. Não dá pra vacilar, ainda vou chegar no horário.
Aqui na Zona Oeste nada é padronizado. Ao dar um rolê pelo Largo da Batata percebo como Pinheiros mudou dos anos noventa pra cá. Pavimentaram algumas calçadas, iluminaram algumas ruas e vielas, mas o ambiente continua o mesmo. Bórdeis e botecos onde se acha pinga quase de graça. Ninguém quer perder oferta, e se o governo legaliza o álcool nenhum cidadão bota defeito.
Trabalho de motoboy numa pizzaria do Butantã do período das 19h30m às 3h30m da manhã, enquanto ainda tem gente fazendo pedido. Daqui a gente entrega em todo lugar e para os públicos. Da rua Bica de Pedra ao COPAM. Moradia estudantil, Vila Madalena, Pompéia, Jardins, Cidade Universitária, Pinheiros, Morumbi são alguns dos lugares que eu voou com a minha 150 cilindradas para entregar deliciosas pizzas.
Ao chegar há uma lista de entregas pra fazer. Mal tenho tempo de conversar com colegas, passo pela cozinha tomo uma água enquanto alguns enrolam e batem a massa, outros lavam pratos, ainda todos de boné, aventais, luvas, gorros, toucas, máscaras, levando pizzas ao forno, preparando molho. O cheiro estava ótimo com sempre. Mas hoje é um dia para ralar. Eu vou até o vestiário e coloco uma roupa que possa me proteger do frio. Recolho os bilhetes e já programo o GPS para me indicar a melhor ordem de entrega. E eu fico acima, correndo pra cima e pra baixo na marginal, ao lado de carretas em alta velocidade, ou mesmo quando o trânsito para e meu coração acelera junto com minha mão, que reza para Deus que eu possa voltar pra  casa. Queria ter estudado, feito um concurso pra não ficar ralando de bola de meia como motoboy.
As burguesas nem olham para mim. Sou um cara magro e fraco, elas gostam dos mais fortinhos. Não chamo atenção de nenhuma garota. Gosto de fazer entregas no Morumbi. Os clientes são ricos e 90% das vezes dão gorjetas altas, assim, sem mais nem menos. Já fiz mais de mil reais em gorjeta em única noite fazendo entregas no Morumbi. Aproveito e faço uns contatos extras. Se precisar de alguma coisa a mais fora a pizza pode ligar no meu celular. Eles sempre ligam, curiosos  quanto as novidades que tenho a oferecer, no meu trabalho diurno. Como a música do Tupac, "I got the weed and the coke, what do you need, what you want?" Como não sei inglês busquei a tradução no Google.
Gosto de trabalhar para os ricos. São leais e pagam sempre na hora. A classe média em geral nem pensa em dar gorjeta para entregador de pizza. Eles acham que realmente fazemos parte dos famigerados 10%. Um ou outro bom samaritano dá uns cinco reais quando tá de bom humor. Boa noite garoto, vai com cuidado. Obrigado senhor, fica na paz divina. É sempre assim.
A verdade é que eu arrisco minha vida nas ruas de São Paulo durante a noite porque eu tenho que trabalhar. Fica mal vagabundo que fica de dia na quebrada só ganhando o movimento e sendo ganhado pelos dedos de gesso. A verdade é que meu salário assinado em carteira é menor que um salário mínimo, quinhentos reais líquidos. O mais eu recebo por entrega. Quanto mais eu entrego, mais eu ganho. Não reclamo pois recebo gorjetas altas pelo menos duas vezes por semana. O que ganho com as entregas rápidas é um pouco mais da metade do meu salário líquido.
Dá pra pagar o aluguel, a conta de água e luz, a internet, o plano especial do celular, e quem sabe investir um dinheiro em outra empresa. Hoje é meu penúltimo dia de trabalho nessa pizzaria. Tenho uma entrega especial a fazer. Amanhã vai ser beber até cair com os colegas. Ou segunda-feira que a pizzaria não abre.
Sou eu novamente em um condomínio de luxo do Morumbi. Ninguém questiona a minha entrada, e quando digo que tem uma entrega para o apartamento número tal, o segurança nem olha na minha cara. Assistia a um vídeo pornô. Devia estar batendo uma escondido. Ele abriu a porta para eu pegar o elevador. Olhei pelo reflexo do celular que tipo de vídeo o segurança assistir. Era um travesti comendo outro.
Quando cheguei ao apartamento uma deusa oriental abriu a porta, coberta com uma fina camisola transparente. What do you want? Ela perguntou. Não entendi nada, só disse que era entrega de Pizza. We have ordered nothing. Please leave me alone or I will call the police. Polícia. Acho que em qualquer língua essa palavra significa a mesma coisa: problema.
Primeiro pensei nos mortos de fome da Polícia Federal. Vivem às custas de migalhas de tubarões maiores do que eles, os quais nenhum lava jato pode limpar. A corrupção é estrutural e no limite a própria polícia trabalha para o sistema. Um sonho passageiro que tive durante um milésimo de segundo. Será que ela é do FBI? Ridículo. Quem me pagou pra fazer isso é aliado das antigas, gente que ainda pode se confiar no mundo do crime. Ele não ia me botar numa cilada.
A essa altura eu já estava dentro do apartamento com o cano da arma dentro da boca da japonesa. Se você falar alguma coisa eu te mato. Ela falou alguma coisa como se estivesse fazendo sexo oral na arma. Você vai ficar em silêncio? Disse bem devagar enquanto retirava o cano da arma de sua boca. We don't have any cash in here. Cash, palavra universal que significa grana. Você fala português? I am sorry but I do not. Perhaps I can understand what you say very well.
Desgraça! O que será que ela disse? Onde está o Senhor _ _ _ _ ? He's coming from work. He's late because he went to joy his friends in some famous house, I don't know where. Eu uso a frase mais simples em inglês: What's your name? Ela olhou pra mim e disse I am Suzanne Akira, CEO of Western Oil Corporation. And you? Ela parece muito fria. Está esperando um momento em que eu possa vacilar. Perguntou quem sou eu. Eu sou o perigoso coletor de almas. Sou um mensageiro como o deus Hermes. Pensei, para não perder a atenção e o foco no porque eu estou aqui.
Ainda há pouco ela deixou a perna aberta de propósito, enquanto tentávamos conversar nos sofás de couro preto. Ela abaixou para pegar um lenço e deixou a aba da camisola cair, levantou o corpo com o seio direito à mostra, um mamilo duro e excitado, fez de conta que nem percebeu o desleixo, secou a maquiagem perto dos olhos, que estavam manchadas de lágrimas. Acho que nunca vi um seio tão belo em toda minha vida. Tentei não encarar e não ficar próximo. Peguei uma bebida para nós.
Quando voltei do mini-bar com as bebidas na mão e gelo, ela já havia arrumado a alça da camisola. Are you going to kill my husband? Kill, isso me lembra o filme do Tarantino, onde o sangue escorria a solto.
No kill. Only love. Ela riu e deu um belo gole no Gim. Você é japonesa? Ela disse que meio japonesa meio americana. Isso eu pude entender. Half american, half japanese. Ela sabe que estou armado, que provavelmente vou dar um tiro na cara do marido dela, mas mesmo assim ela se insinua como uma cobra, seus movimentos são sorrateiros, seduzem meu olhar e faz com que eu me pergunte que tipo de tesão é esse. Tesão pela morte. Só que eu não quero morder a maça.
Meu pau ficou duro e grosso, mas eu bebi um Conhaque e outro e outro e logo fiquei calmo. Não posso transar com ela. É a cilada perfeita para ela pegar minha arma e dar um tiro em mim. Ou ainda para me acusar de tentativa de roubo, estupro, homicídio e uma pena perpétua na cadeia. Eu conheço bem os segredos de Mefistófeles.
Como sempre ando com substâncias narcóticas, um comprimido de Diazepam veio a calhar. Coloquei no suco com uma leve pitada de Vodka. Ela apagou em alguns minutos. Peguei ela no colo como se fosse minha irmã, e coloquei ela cuidadosamente na gigantesca cama de casal rosa. Tapei seus ouvidos com silenciadores que estavam na cabeceira, junto com um tapa-olhos. Deixei ela coberta por um edredom verde cheio de listras que estava tão cheiroso que tive vontade de deitar.
Não o fiz. Dei um beijo na testa dessa agradável pessoa, apaguei a luz do quarto saí. deixei ela a roncar. Apaguei todas as luzes do apartamento e me perguntei se o segurança não notou que até agora minha entrega está em andamento.
Coloco o silenciador na arma enquanto aprecio a beleza de um piano de cauda preto. Imaginei aquela musa japonesa tocando alguma obra de Chopin. É o único músico que eu ouvi falar que toca piano. Não sei nada disso. Ouço um ruído na porta. Um cartão magnético está sendo passado do lado de fora.
Fico escondido atrás da cortina. Ele entra e fecha a porta. Acende a luz e joga o casaco no sofá de couro preto. Pega uma bebida, tira a gravata e o sapato, coça o saco e a bunda, e senta no sofá de couro preto. Eu apareço entre as cortinas. Com a arma apontada na direção dele. Ele deixa cair o copo de uísque no tapete persa. Não chega a ser um problema para a vizinhança. Três tiros na cabeça, dois no tórax e um no estômago.
Não deveria ter parado para pensar. Enquanto trocava de roupa, incinerava as roupas de motoboy no enorme forno holandês da cozinha. O disfarce estava perfeito e eu iria até sair com o carro do bacana. Mas agora tenho uma outra preocupação. Se a polícia chegar lá e achar o corpo e ela dormindo certamente vão partir de pressupostos machistas.
Decidi não deixar que isso acontecesse. O que aconteceu com o Senhor _ _ _ _ foi apenas um acerto de negócios. Não tenho nada contra a senhora Akira. Saio no corredor e pego o elevador, com ela no meu colo, já com blusa por cima da camisola. Quando chego no quarto andar, começo a gritar pedindo ajuda. Chega um funcionário de longe eu digo que estou no quarto tal, que ela sumiu e eu fui procurar ela no condomínio e quando a encontrei aqui no quarto andar ela desmaiou surpresa.
Fiz cara de coitado e o funcionário achou que eu fosse um corno chifrudo sem vergonha. Ficou com pena de mim e ajudou a carregar ela até o andar térreo. De lá chamaram uma ambulância, na qual eu entrei, acompanhado com ela e dizendo para os médicos que era o marido. A enfermeira segurou minha mãe, que começava a suar um pouco. Eu amo essa mulher. Pode ficar tranquilo senhor, não é nada de mais. Heróis. Muitas pessoas me viram como herói. Acho que é essa calça de quarenta mil dólares.
Deram glicose pra ela e em poucos minutos ela acordou. Já estávamos em outro mundo. Saímos do hospital e fomos tomar uma cerveja no bar. Conversamos até o raiar do dia. Ela sabia o que eu tinha feito e parecia feliz com isso. Depois que fui embora parei para me perguntar se não fora ela a verdadeira contratante desse serviço. Afinal de contas, negócios  são negócios. Com a morte do marido ela passa a controlar parte das empresas dele no Brasil. Ou eu andei assistindo muito novela das oito no horário nobre.
Durante o dia eu sou um gatinho que trabalha dentro do próprio apartamento. De noite eu sou um quebrado que trabalhava de entregador de pizza. Mas nem todo trabalho é pra sempre. As câmeras me filmaram? Claro que não. Essa foi a primeira parte do plano. Desligar todas as câmeras do quadrante que envolveu minha ação. E foram muitas quadras. Quando se trabalha sério sempre tem emprego. Pra não dar na cara apareci no meu último dia de trabalho na pizzaria, e para minha sorte tive uma entrega no mesmo prédio onde saiu no jornal que um cara se matou. Meu último dia de trabalho porque às 23h40m tenho que pegar meu voo para a Capital do Brasil. Ser invisível aos olhos da lei não é fácil. Vou arrumar outro serviço. Mas hoje estou de férias.

Crônica improvisada.

Estação II

Próxima estação: Terminal Jabaquara - Acesso à rodoviária e ao aeroporto - Não contribua com o crime. Não compre produtos vendidos dentro do trem. A central agradece e deseja a todos boa tarde. Por favor não permanecer nos vagões. 14h22m horário de Brasília. Ao sair pela escada rolante um exército de ambulantes vieram oferecer água, cerveja, refri, churrasco, cocaína e maconha. Disse que estava devagar mas com pressa. Os aviões passam tão baixo na rua que até tirei um self parecendo com uma queda de avião. Publiquei nos grupos sociais e logo todo mundo tava divulgando um acidente que nunca aconteceu.
As aeronaves são um meio de transporte seguro. Pego um táxi para livrar-me da muvuca e vou até o Campo Limpo encontrar um amigo, vulgo Cebola. Meu compromisso com meu sogro é apenas durante o jantar. Aproveito o dia e ando pelo bairro, revejo caros amigos como Didi e Cabeção, Juninho e Dandara. Pati, Chulé, Negão, e Sobrinho. Chamei o Caique pra bater uma bola. Aqui na Zona Sul é assim, sempre é necessário o respeito e a coletividade. A comunidade resiste na solidariedade. Ninguém fica de cara fechada ou alienado quanto à pobreza do outro.
Os pivete da laje Nando, Mauricio e Di menor gritavam meu nome lá de cima e faziam sinal com a mão, onde um cigarro bolado com erva verde da boa mandava na roda. Abracei todo mundo, fui zoado na maior amizade por ter desaparecido. Passaram a mão na minha bunda. Solta o preso e corre o beck.
Disse que não podia ficar. Perguntaram o motivo e eu inventei qualquer coisa porque a Angela estava lá. Ela sempre gostou de mim, desde que a gente era criança; A angela é o tipo da mina gente fina, que desde a infância sempre esteve ao meu lado e do lado de quem precisa. Quando eu cresci e precisava ser ouvido, era sempre ela. Tem pessoas que são abençoadas e nem desconfiam disso.
Como eu sabia que ela me amava nunca quis brincar com isso. Valorizei o sentimento dela pois sabia que jamais poderia retribuir. Sempre rezei pra ela achar um cara bacana. De vez em quando, enquanto todo mundo tagarelava na laje, comiam churrasco, brincavam e dançavam e rim, o olhar cheio de brilho dela se encontra com o meu. Fico envergonhado pois também gosto dela. Mas sei que não a mereço e que no fundo ela vai encontrar alguém.
No futebol foi como nos velhos tempos. Ao vestir a camisa vermelha número 6 eu encarnei o meu papel. Sempre gostei de jogar na lateral esquerda. É uma posição intermediária entre a defesa e o ataque. Então eu gosto de subir e descer o campo marcando, dando passes, construindo jogadas pela ponta, desviando a atenção dos adversários.
Meu futebol é simples e seco. Não sou nenhum craque mas gosto de jogar com classe, no estilo Ronaldinho Gaúcho ou Zidane. A primeira jogada matei a bola no peito, ajeitei no pé direito e toquei com o lado externo do pé para o volante, que logo me devolveu. Trocamos passes e fizemos o one-two e passei correndo para o ataque. Cruzei a bola na área, o atacante recebeu mas não soube definir.
Não marquei gols mas joguei bem. Lancei bolas incríveis para meus camaradas além de bater uma falta que zuniu no ângulo da trave.
Já eram 17h02 quando eu entrei no carro e fui até o mocó dos aliados. Um golf preto e rebaixado. Combinamos tudo certo enquanto os rapazes cortavam os pacotes marrons cheios de pó. Ele falava rápido e nervoso que em breve ia sair da merda. Cebola: na infância ele roubava bolacha recheada do mercado e distribui pros moleque pobre. Mas agora sua idéia é Que com um kilo de poeira branca na capital ele fazia cem mil. Que ia comprar uma Hylux e ir para praia comer todas as patricinhas. Senti algo estranho em relação ao seu futuro, e principalmente em relação a mim. Cheirar tanto pó tava deixando meu amigo na nóia. Ele me olhou com desconfiança mais de uma vez.
Próxima Estação: Corinthians-Itaquera - Desembarque pelo lado direito do trem. Não vou chegar atrasado para o jantar com meu sogro. Da Zona Sul até a Zona Leste tem muitas histórias. Meu sogro. Ele é um cara que trabalha no escritório de contabilidade, avarento, careca e com duas pontes de safena para demonstrar seu vigor no trabalho. Dedicado, quase careca, com uma barriga dura apontada para frente, meu sogro é do tipo do cara que gosta de tudo certinho.
Eu não poderia deixar de marcar presença com ele, afinal de contas seu desejo último é saber se eu sou um cara honesto e capaz de sustentar a filha dele. E como sabemos que roupas falam mais do que palavras, sempre vou vestido como um playboy. Chego de carro novo com uma champagne e os ingredientes para fazer o jantar.
Ao encontrar com minha namorada ela me dá um abraço e um beijo no rosto. É sempre bom respeitar os pais. Pego na mão dele com firmeza, sorrio, olho nos olhos dele e fala seu Zé. Como é que tá essa correria? Daí ele começa a falar do trabalho. Fomos para a cozinha preparar o galeto. Eu cortei e limpei a ave, dando os primeiros passos para temperar ao som de J. S. Bach, umas sonatas que meu sogro aprecia.
Seu Zé fazia as saladas  e o arroz, enquanto eu ia rindo do que ele falava e tomando cerveja. Eu estou quase se formando seu Zé. Quando acabar a faculdade de administração vou fazer uma especialização lá no estrangeiro. A parte ruim é que eu vou morrer de saudades de uma pessoa. Ele olha pra mim e diz jocoso: de mim não é? Claro seu Zé, o senhor tem sido como um pai pra mim. Enquanto coloco o galeto no forno.
Tomamos umas taças de champagne e comemos uns petiscos, até ela perceber que não tinha pimenta. E o velho não come sem pimenta. Eu inventei uma desculpa esfarrapada de que meu sócio havia perdido o celular no meu carro, e que eu iria levar de volta. Se ele soubesse quem eu realmente sou, já teria enfiado a faca na minha garganta. Nunca entrei na faculdade. Sou formado nas ruas. A máscara é o que conta. É mais fácil para todos não saber a verdade. Muito melhor viver fingindo.
Ligo o carro e olho no banco de passageiros um frasco de pimenta. Carolina é o nome da marca que eu já havia comprado. Desço com o carro numa passagem estreita onde uma garota de menor me espera com a moto ligada. Coloco o capacete no rosto e verifico a trava da arma. Vamos voltar ao Campo Limpo rapidamente. Preciso deixar umas coisas a limpo por lá.
A garota que pilotava a moto era viciada nos três R's: Rivotril, Ritalina e Roupinol. Um garota linda de dezesseis anos, toda durinha e com um discurso contra o sistema. Seu piercing na língua me deixou tão excitado quanto a tatuagem de flor que cobria metade do quadril dela. Eu já ripei e fui presa, mas o juiz sempre me absolve. Ao olhar para ela assim, meio da rua ou de uma festa qualquer um a tomaria por flor. Um flor que oculta os espinhos escarlates. Porta voz de bandido. Ponta de beco. Sentinela. De menor. Os agentes do caos na quebrada. Seguimos viagem, ela a quase cento e cinquenta por hora.
Aquele amigo que me olhou com desconfiança é o Cebola. Ele foi desvirtuado da nossa proposta de vender para tomar o poder. Ele quer vender drogas para comprar Hylux, e prostitutas. O que ele disse pra mim, sem saber, é que em breve vai me matar. E esse tipo de ameaça não pode ficar sem resposta. O Cebola tava jogando bilhar e com uma garrafa de cerveja na mão quando cheguei a pé e dei dois tiros na cabeça e dois no peito. Pela frente como se costuma fazer os homens honrados. Alguém até pensou em sacar uma arma. Mas ficou só na ideia. Ele caiu que nem um saco de merda no chão, quebrando a garrafa. A moto passou logo em seguida, eu entrei e voltei até a passagem estreita para pegar o meu carro. Foi a viagem mais rápida que já fiz de Itaquera até o Campo Limpo.
Já havia se passado uns vinte minutos. Volto à casa do meu sogro com a pimenta, rimos bastante, comemos e ficamos jogando buraco e contando histórias da vida até de madrugada. Seu Zé é uma pessoa bacana e gosta de mim. Eu não considero ele como um pai de verdade, falo isso só porque ele quer ouvir, mas ele sim, me ama como um filho. Ou ama o que eu pareço ser para a família dele. Um homem de negócios bem sucedido. Ele dorme no sofá. Checo o meu Rolex e vejo que são 3h00m em ponto. Pego um lençol e cubro o velho. Minha namorada já foi dormir faz tempo. Ela não gosta da minha amizade com o pai dela. Disse que ele já foi muito cruel. Eu a consolei dizendo que todos os homens são cruéis. Nós nunca vamos entender o que é ser mulher. Você é linda. Eu digo pra ela. Gosto de fazer ela se sentir bem. Tomo um gole de água e vou até a varanda fumar um cigarro. O Cebola não vai perturbar os meus sonhos. Me arrumo no sofá já premeditando a viagem até a Capital do pais. Tenho que transportar meus produtos e fazer a empresa crescer. Que horas são agora? Não vou para de pensar?
 
Crônica improvisada

Monday, 14 December 2015

Estação

Próxima estação: Trianon - Masp - Desembarque pelo lado esquerdo do trem. A linha verde do metrô. Eu havia esquecido de como ela é confortável. Apesar da linha amarela ser mais sofisticada. Voltar à São Paulo foi como estar de volta em uma cidade de primeiro mundo. Eram umas 19h alguns minutos quando eu desembarquei. Um senhor usando um terno Armani marrom, com uma maleta chique aguardava à minha frente.
Eu estava usando um terno preto, com camisa branca e sem gravata. Cabelos negros curtos com alguns fios brancos lutando para aparecer. Charme de ator de cinema. Quem sabe chego aos quarenta com uma aparência de George Clooney. Durante a escada rolante arrumei meus óculos quadrados e elegantes, com a armadura também preta, com o nome da grife talhado em prata.
Carrego debaixo do meu ombro uma simples edição de Homero, traduzido por Haroldo de Campos, a qual leio alguns poemas durante um embarque-desembarque, entre uma olhada para as coxas da mulher de vestido de R$ 5.000,00. A linha verde tem um público que parece rico e excêntrico.
Ao passar por debaixo do MASP observo que os taxis continuam da mesma cor. Debaixo do vão livre alguns skatistas e estudantes de humanas fumam baganas com moradores de rua e outros transeuntes.
Entro no Museu mas não estou interessado nas obras. Na verdade pareço uma dessas figuras ávidas por arte e entretenimento, que ao ir ao museu, repetem a piada de Godard ao ficar um tempo horrendo de dez minutos dentro do museu. Dez minutos para observar todas as obras do Louvre.
A piada é boa, mas para isso você teria que ter assistido ao filme Band a Part. Meu celular está no silencioso. Faço o que tenho que fazer no museu, sem pressa e quando estou certo de pegar o táxi logo ali na Avenida Paulista, em um domingo sem futebol e com passeata de alguns riquinhos enjoados, encontro com ela, fazendo algum comentário esperto e hiperbólico sobre uma obra qualquer do museu.
Se desse para fugir eu o teria feito. Queria ter entrado no quadro, encenar que era o segurança do museu, mas a amiga dela me reconheceu e veio com um sorriso e um abraço em minha direção. A primeira coisa que eu pensei foi falsa. Como ela é descarada, se isso significar falta de caráter.
Disse meu nome em um tom mavioso, numa doçura ácida que foi acompanhada do clássico que bom te ver. Disse que o prazer era o mesmo, que foi uma ótima coincidência e elogiei uma saia vermelha brega com flores brancas decoradas que ela vestia. Como foi bom encontrar vocês. Disse cheio de empolgação e com um sorriso nada forçado na cara. Eu estava remoendo minhas entranhas de raiva.
A moça de vestido brega roubou minha ex-namorada  há alguns dias, assim, na minha frente, na cara dura, e eu não pude fazer nada a não ser ceder. Minha ex-namorada é a moça de óculos, cabelos escuros e curtos que fazia gestos afirmativos e eloquentes ao falar para a amiga da obra. Ela deu em cima da minha mina na minha frente e tudo o que eu pude fazer foi sorrir. Tem horas que o homem tem que aceitar seu papel de idiota no mundo.
Eu até fantasiei um ménage, mas a amiga e atual namorada da minha ex-namorada estavam lá e eu não tinha como fugir do embaraço ou fugir delas. Olho discretamente no relógio para não parecer que estou com pressa e vejo que já são 19h e mais alguns minutos. Em São Paulo as horas passam rápido. Eu não queria ter encontrado ela aqui, mas é melhor convidá-las para tomar um café. Já estava com a corda no pescoço, suando por dentro do terno, porque numa cidade tão grande eu tenho que encontrar com minha ex-namorada? E porque ela não estava sozinha para alegria do meu coração sonhador?
Meninas, a conversa está ótima mas eu vou ter que pedir a licença de vocês para ir ao toalete. É a desculpa que eu sempre dou. Como já havia pago o café, e aquela imagem da mão dela segurando a mão da ladra me causou um ciúmes espantoso. Taxi. Por favor me leve até os Jardins. Enquanto elas achavam que eu poderia estar cagando, me masturbando, me enforcando, na verdade eu corri como o papa léguas para longe dali. Não sei porque ao passar por uma dessas árvores com folhas brancas, lembrei de uma ex-ex. Uma ex que foi antes dessa ex que encontrei no museu e antes de outra ex que namorei uns dois meses. Isso não vai acontecer. Arrumo o terno e dou uma olhada no celular, pois o taxista nervoso não para de conversar. Medo de assalto. Ele fica falando de colegas que já foram mortos na rua e que se depender da vida dele, ele entrega tudo. Tinha um rosário pendurado no retrovisor e um adesivo azul com uma imagem de Nossa Senhora colada no porta-luvas.
O telefone toca. Olho pelo vidro do taxi e vejo uma imagem negra escrito GOE na porta. Faz tempo que não venho até São Paulo. Mas a necessidade faz um ser humano trabalhar. Desço nos Jardins e caminho até uma ruazinha arborizada onde há um sobrado com uma sacada enorme. São 20h30 minutos no horário de Brasília. As 23h40 vou pegar meu voo de volta para a Capital.
Começo a bater palmas em frente a casinha cor de salmão. Começo a gritar um nome aleatório, como João. Em menos de quinze minutos uma viatura da PM passou pelo lugar. Eu fiz sinal para o carro e o motorista parou. Boa noite senhores oficiais, eu estou tentando chamar um velho amigo meu, mas o celular dele não atende e estou a chamar faz alguns minutos. Os senhores não poderiam fazer a gentileza de ligar a sirene ou fazer algum barulho para que meu amigo acorde e venha me receber?
Um olhou para a cara do outro, todos desconfiados e com o desejo iminente de pedir meus documentos. Mas eu sei fazer cara de nerd inofensivo. Sei fingir muito bem. Ao sorrir para eles um cabo que estava sentado atrás perguntou se eu era português. Disse que sim, mas na verdade meus pais são portugueses e donos de uma indústria de óleo, qualquer mentira só para deixar eles impressionados.
Eles ligaram a sirene por um minuto, buzinaram e logo uma luz acendeu-se na casa. Eu agradeci imensamente os policiais e não fiz nenhuma menção de dar gorjeta, para não ofendê-los. Eles saíram e em menos de dois minutos uma mulher loira, despenteada apareceu na sacada. Boa noite senhora, me chamo fulano de tal e sou um velho amigo de João. Venho de Portugal à negócios e gostaria de tecer algumas palavras com esse coração fraterno que não vejo há tanto tempo. Não há nenhum João aqui, foi dando as costas para fechar a porta de vidro.
João era nosso apelido de faculdade. Ela hesitou um pouco. Foi para dentro batendo os pés no chão e deixando cair o lenço que cobria seu corpo. Infelizmente só vi parte da bunda, das coxas e o lado dos seios. A porta de baixo abriu. Um senhor carrancudo, usando um hobby vermelho vinho e fumando um charuto veio me receber. Quando ia pegar na sua mão, tirei a arma com silenciador do bolso e disparei duas vezes certeiras contra a cabeça e uma contra o coração. Enquanto a mulher loira foi chama-lo eu coloquei as luvas de procedimento cirúrgico que não deixam digitais. Segurei o corpo para que o barulho do baque não assustasse a moça. É impossível errar de tão perto. Ainda sentia o sangue escorrer quando peguei aquele corpo inútil.
Fechei a porta e fui até o quarto, onde ela estava nua e onde pude observar seu tenro e jovem corpo. Ela perguntou se já o tinha encontrado. Vi uma escultura em formato de máscara e alguns livros como Brecht e História do Teatro na prateleira. Eu não me incomodo com meu corpo. Pode olhar o quanto quiser, só não acho que seu amigo vai gostar disso. Melhor esperar ele na sala. Você é linda. É uma pena ter que atirar numa criatura tão inteligente e meiga. Um garrafa de uísque pela metade, umas pílulas e um pó branco sobre um espelho. Eu disse a ela que a amava. Foi o subterfúgio que usei para ter a distração necessária e poder colocar uma única bala naquela cabeça cheia de drogas. Como de costume larguei a arma no quarto e coloquei a mão da loira várias vezes em várias posições para que a perícia tivesse muitas dúvidas quanto ao suicídio. As solas dos meus sapatos são lisas, meu cabelo com um gel especial que não deixa nenhum micro-fio cair no chão. Saio pela porta dando boa noite aos convivas, caso algum vizinho estivesse por ali, passeando com o cachorro. Não quero ter que matar ninguém à toa. Vou até um bueiro estratégico que já havia pensado antes do trabalho e entro lá dentro. Troco de roupas e queimo todos os itens que usei para realizar este feito. Agora estou de camisa polo vermelha, cabelos loiros, sem óculos, sem barba de bermuda jeans e all star. Coloco um fone de ouvidos e saio do bueiro em outra parte do bairro. Pego um ônibus até algum lugar que me deixe próximo do aeroporto.
É hora de voltar e receber a outra parte do combinado. Próxima estação: W3 Norte - Brasília - Distrito Federal. Já é quase verão.
 
Crônica improvisada

Saturday, 12 December 2015

II

Ultimamente é moda, nos altos círculos intelectuais do Brasil, crer-se em qualquer coisa que qualquer um diz. Mesmo aqueles que são mais desfavorecidos economicamente incomodam o Estado. Protestar é moda. Vestir camisa da seleção brasileira e pedir intervenção militar. Apoiar o golpe político do PMDB em pró de um impeachment que só favorece uma casta econômica.
Apesar dos pesares o povo grita que é brasileiro com muito orgulho. Vou te processar por qualquer má conduta. Mesmo as poéticas. Combater o Estado, dentro do núcleo do poder é atividade perigosa.
Quem estava no Itamaraty quando começaram a jogar bombas, lá em 2013 sabe do que estou falando.
A novidade jornalística é que a recessão econômica vai piorar em 2016.
Eu não gosto de ficar pagando de intelectual, muito menos de professor de história. Mas os fatos são os mesmos para qualquer cidadão, suas interpretações é que podem diferir drasticamente, de acordo com o caráter e personalidade do leitor.
Se o leitor me odeia, não espero nem ser lido. E detesto aquele leitor que aplaude de pé a minha miséria, aquele que me dá audiência e faz do texto o sensacionalismo dramático que sustenta um orgulho fragmentado e ridículo.
O fato é que quando há uma maioria no poder com um mesmo interesse comum, os quais divergem completamente da política institucional, isto é, quando o interesse próprio de algum grupo é soberano dentro da instituição democrática. Para não ser muito metafísico vou ilustrar com um exemplo histórico: o nazismo.
O que acontece quando um grupo que se acha superior economicamente usa do poder legítimo da instituição para caluniar, reprimir, expulsar, excluir outro sujeito, que seja diferente aos interesses pessoais do grupo. E quando o sujeito reclama desse grupo incorporado à instituição, ele é logo calado por mecanismos burocráticos. A perversão do poder. A violência incorporada à instituição democrática. Você não pode ofender um funcionário público, mesmo que este lhe confesse abertamente ser racista, preconceituoso e luta por políticas de desintegração social.
Quem não tem medo de Judeu? Até hoje os incultos culpam o Estado de Israel, como resultado legal do término da Segunda Guerra mundial. Quem não tem medo de pobre? Ainda mais quando o pobre tem consciência de sua própria classe, e expressa isso tão clara e abertamente como se tivesse lido Marx.
Expulsar os judeus da cidade e coloca-los no gueto. Política econômica estratégica de exclusão social. Um grupo que tomava-se por superior racial, intelectual, histórica, genética e politicamente, que evocava o princípio da seleção artificial para eliminar sujeitos legítimos do interesse econômico dessa maioria que inventou esse direito. (Leis de Nuremberg).
Casar com judeu é crime. Expulsar os pobres de um contexto econômico e cultural sob o interesse de uma maioria institucionalizada e legitimada pelo direito. O que acontece quando várias pessoas que trabalham na mesma instituição repetem o mesmo discurso, sem nenhum nível de criticidade pelas ordens, sem nenhum questionamento de ordem moral, completamente ignorando o nível do outro, aplicável e existente apenas nos termos técnicos e nos editais lançados pelo Estado.
O que acontece quando um ser humano é expulso de seu contexto cultural acusado de pobreza? Voltar a experiência do nazismo para entender como os regimes democráticos ainda possuem esta estrutura administrativa: Se o policial não cumprir as ordens internas da instituição policial, ele perde o direito de trabalhar, pode ser preso, etc. Do mesmo modo o professor, o carteiro e todo o funcionalismo público.
Um leitor extremista poderia me acusar de estar sendo genérico, e que isto não se aplica a todos os casos. Mas o que eu digo tem relevância para o Estado, na medida em que o mesmo me ameaça com processos e penas pelos meus textos. E ainda há a crença no que eu digo. Pois bem, como não gosto de ficar fora da moda declaro que sou o Imperador Constantino. E isso por enquanto, pois como sou geminiano logo vou ser Napoleão Bonaparte. E podem acreditar nisso, como acreditam que sou terrorista, e julgam isso por verdade. Já que é verdade que sou terrorista, deve ser também que sou Prometeu, Centauro, Clarissa Lake ou qualquer uma das personagens que inventei, que não carregam nenhuma relação com minha vida pessoal.
Esse tipo de violência me incomoda. E o silêncio não é uma alternativa.

Monday, 30 November 2015

Hamlet and other things

Since I could not find a regular job, I will keep trying this. First I will speak a few words about the situation of this blog. Second I will dare to make a brief review of Shakespeare's Hamlet. What is this blog? The report of my lunacy. The diary of despair (for some, I hope, the diary of comedy). I dare to say my English skills are growing rude. During this time of privation of culture, I could not have access to one of my richest sources of phantasy: cinema. My discourse is almost repetitive and annoyed. Thus I will try to study the essence of this language I just pretend I know.
Although I am not in possession of music and cinema and my old Semp Toshiba notebook is broken, I have anything at all to complain: I'm alive and writing. Life can be beautiful, I like to think in these terms. 
The very material of my work is the English language. I used to take the subject in terms of form and composition: I failed several times trying to composse something with unity. The result is available right here, in this old fashioned blog named "Kalon Kakon - Ego cogito ergo sum armatus", a pretense title, for a pretense author.
Kalon Kakon has no disposition of an authentical literary work. The unity of Kalon Kakon is to have no unity: A diary were his author complains about how weak and poor soul he is, or even some texts of Clarissa Lake involving a wicked rescue of Greek myths and tradition, and stories with which seems to be a clear attempt to phylosophy, but without any method, and keep counting, there are still free chapters about society, involving the dialectics of crime, sometimes in the shape of "Dramatis Pesonae", just like a theather were the ego of Clarissa Lake either is Athena or Prometheus, a mixture of the real's life of the real author involved in dark sarcasm and non-sense, and very much bla, bla, bla.
Anyway, Kalon Kakon was faded to be only exercises. And bad ones. This blog has no start, no middle, no end. Perhaps the natural end of this blog is the dead or prison of the author. What happened after all these years trying to give form to the unlightened chaos?
Where it begins? 2011? What's the point of this issue? I'm writing something coherent and organized into a nefarious method. I'm writing a book and I won't publish anything over this matters. Nonetheles, I will remain here, showing the possibility of creation.
I'm quite aware of my situation, and I don't feel shame for that. As a writer,  I am always marking my discourse with the words I intend to use. Words of my choice that I take in the air and give shape and life to them.
I must confess my unconscious isn't that huge. I have a weakest imagination and a extreme failure on the standarts of European culture. I'm guy from the hoods, better saying, I do not create this blog based on my personal experiences in life. The material for creation was purely literature. Reading I could wonder what is possible to write, what is not possible. Where is the realm of phantasy which emerge on my nerves to type several words, reviving the cultural history of our world? (Europe, America)
When I talk about ghost I am talking about Hamlet's father. Horátio thought this ghost was nothing but phantasy. But when he saw it, his friend poked him on kidding: "How now Horátio? Is not this...more than phantasy?
Hamlet is one of the psychopaths of literature I use to clap my hands. In the first Reading, I read Hamlet as a real mad person, "Mad as the sea and Wind" in the words of the Queen Gertrude. The ghost spoke to Hamlet that a serpent had murdered him and now was in a incestuous relation with the Queen. Hamlet sees yourself in the dilema of Orestes, when the Erinyes or Furies were taking his soul away. Orestes should make a a hard decision according to the laws and traditions of the ancient Greeks. The assassination of Agamenon should be payed with blood, to revenge the death of his father. The Destiny is not so easy because the assassin of Agamenon is the mother of Orestes.
Hamlet feels the hunger and thirsty for blood and assume the character of the crazy guy, disturbed by the Furies and try to reach Athena's purgation,  to find out the cause of the murder. Hamlet could had heard the ghost and go immediatly to murder Claudius and Gertrude to avenge the honor of his father.
Instead of acting for the heart, Hamlet was smarter, pretending he was crazy he could see more clearly the intentions of the court. That is too much proved that with devotious deviance and pitious actions we do sugar' em the devil, If I remember well what Polonious said to Ophelia, when he recomends his daughter to read some literature in order to forget the madness of Hamlet.
Hamlet is representing the character of a mad person. He isn't really mad, he's very sad and anger for the treason, but he acts coldly, premeditating his actions. Otherwise Hamlet would not hire a group of actors and teach them how to act, how to cause this or that impression on the character, what Hamlet, as the director of the piece, desires and wishes of the actors and for the acting.
During the apresentation of the theather Hamlet could observe the eyes and the actions of Claudius, because the matter of this piece was just a case of a murdered king by treason of his own brother. Claudius loses his patiente and leaves the audience. The effect expected for Hamlet was fullfiled: The theather showed the hidden remorse of the King, causing the purgation of Claudius, which was also expected for Hamlet.
Hamlet is a character of horror. When he step into his mother's room saying very much as a vile assassin, thirsty for blood: "Mother, mother, mother...". Hamlet it's very scary in his means to find out if the ghost is saying the truth or if he is really insane to the bones. This representation is also a dark hour of terror: "A dead rat for a ducat" when he slained Polonious. When Claudius severaly question Hamlet where is the body of Polonius, he replies: "At super..." kidding with the murder situation, as he used to joke in many other times. The coldness of a psycho is what gives Hamlet this shape of classic horror. The terror of Hamlet came about the fact he's not mad in fact for the assassination of his father, He created a character to represent the madness of losing a father under the same circunstances and oblige your Family and the court to act with him.
This is the kind of thing I'm talking to. I do not create stories over my experience. I create stories over the history of literature, which is very much different. But I'm quite sure my reader is wondering about the "To be, or not to be", "To be dead, to be sleep", the long monologue in  which Hamlet discuss existence for a profound prisma of phylosophy. To be alive or to be dead is a simple inference. Is he representing or is he really insane?
What character is this? And poor Ophelia, did she understood the question of "To be or not to be"? Hamlet was talking to Ophelia when he spoke this big monologue over life, existence, theather, love and whatsoever. Next, the romantic character is perfect. Hamlet questioned Ophelia using words like daggers: "Are you honest?", "Are you fair?" and Ophelia "My lord?", why are you trying to offend my honour with these sharped words? Wonders Ophelia. The actor inside Hamlet is decisive, tragical and comic at the same time: "I loved you not" is the piecing affirmation of him. Hamlet is a very extradordinary masterpiece of literature. I would not spoil it. Read it.

Clarissa Lake - Thunders and rays in Hamlet: the modern psycho character.



Thursday, 12 November 2015

Prefácio no Teatro

O DIRETOR

_Silêncio! Meus amores, não é o momento adequado para discutir as leituras dos textos. Temos um prazo a cumprir, e o tempo urge contra nós, portanto ele não é apenas trágico. Portanto, sentem-se enquanto eu faço as orientações finais de algumas passagens que ficaram péssimas a última vez. Gente. Por favor, vocês são atores profissionais. Só rindo mesmo né? Não me obriguem a gritar e falar mais de uma vez, tive uma noite horrível, estou de ressaca, enfim, meus anjos barrocos, sentai porque é gostoso e bom. Menos você meu lindo. Vem aqui. 

O POETA

_Que nenhum disparate provoque o embaraço deste ser miserável e nu a luz da lua. Uma lua azul que que logo é prateada, vermelha, sangrenta, brutal e que sempre me reduz a mil pedaços e fragmentos de pó. Lunático devo ser, adorador da lua e do lobisomem. Ser ou não ser já é uma questão antiga...

O DIRETOR

_Calma, respire fundo. Perfeito. Eu sei que você tem lido bastante a respeito dessa personagem e fez uma pesquisa histórica considerável, a qual eu estimo e respeito muito, e parem com esse burburinho aí atrás antes que eu faça alguma coisa voar. A sua frase, ou melhor dizendo, sua paráfrase do texto original pareceu demasiado melancólica.

O POETA

_E o que isso importa? Não é a poesia o reino da imaginação onde tudo é possível? Não seria uma fuga do discurso cotidiano, do todos falam e ninguém ouve ninguém, não deveria a poesia ser uma encenação superior à encenação social, o viver as próprias vidas não seria inútil comparado com a multiplicidade infinita de sensibilidades ilustradas pelo discurso poético?

O DIRETOR

_Poetas melancólicos estão ultrapassados. Não se ouve mais falar de utópicos e românticos. A nossa era é digital. E não é essa virtude que eu encontro na figura da personagem e não quero que você atribua esse tom melancólico pesado ao poeta. Fale com firmeza, porém com a ternura de uma criança. Como um louco que por algum transtorno pessoal não conseguiu adaptar-se à sociedade pós-moderna, e, por ter princípios revolucionários virtuosos e por isso mesmo esdrúxulos em nossa época, passa fome, vive às expensas dos amigos ou do governo, não consegue nunca publicar um poema que seja, mas se acha o ser mais inteligente e criador de sua era, por favor coleguinhas parem de rir, eu estou tentando definir alguns traços dessa personagem...como diria?...uma criança...

O POETA

_Baudelaire?

O DIRETOR

_Você lindíssima e uma doçura encarnada em pessoa, por favor venha até o palco. Talvez você possa nos ajudar lindinha. Ela é muito linda como todos vocês! Invejosos! Reiniciem a cena que estávamos...ontem..vocês lembram não quero entrar em detalhes.

O POETA

_O brilho dos seus olhos negros é encantador como a chama de Nidora. Quando eu me aproximo do teu corpo teu perfume me abraça e me acorrenta num beijo avassalador, me enleia pelas nuvens de éter e na torre de marfim, onde seu sorriso é eternamente sincero e encantador. Sem rimas! As vezes me pego no torpe devaneio de beijar-lhe a fronte. Agora que estamos tão perto um do outro e o seu cabelo cacheado toca meus ouvidos, arrepiando-me de um medo incerto e crescente, para dizer o que todos já cansaram de dizer, que meu amor...

O DIRETOR

_Não, não, não. Pode parar. Agora. Querida, eu gostaria que você comentasse um pouco sobre a sua personagem. Desculpem todos por interromper, seus chatos, vamos mudar um pouco de assunto e ver se conseguimos entender que tipo de personagem é o poeta e qual tipo de amor existe entre ele e a bufa. Obrigado minha linda.

A BUFA

_Boa noite diretor, colegas de palco e de bebedeira, bem, essa personagem da bufa surge em um momento de solidão e privação material do poeta, nessa eles começam a ter uma amizade colorida, que para a bufa era apenas mais uma forma de representação. Só que o poeta vive imerso na fantasia e acaba por acreditar e ter fé na ilusão do amor representado. Posso continuar? Bem, para a personagem bufa tudo é uma grande brincadeira, mas o poeta, ao ver que o seu amor não passava de encenação, esqueça da brincadeira de amar e fica profundamente triste e doentio, além de na cena seguinte chorar de desespero. O poeta nunca quis brincar de amor, assim eu entendo a melancolia da proposta do nosso colega. Por fim a bufa, ao ver que ele não consegue entender de nenhuma forma que acabou, ela passa a usar do chicote com ele e....

O DIRETOR

_Está ótima a sua leitura, muito obrigado, mas pode parar por aí gata. Esta outra característica, este outro ego da bufa, vai agir, talvez sadicamente contra a ilusão do poeta. Só que neste momento vocês vão encenar a representação cômica do amor. Não estou falando dos atores em palco, figuras maravilhosas que eu amo de paixão, mas dos atores presentes nos textos, então precisa existir um nível de fingimento de ambas as partes. Este é o amor que vende nos tempos pós-modernos. Amor como farsa entre duas pessoas reificadas. Um amor que é produto de dois seres que consomem-se mutuamente, portanto os seres passam a ser eles mesmos objetos de seus fetiches e ilusões, o amor é mais um resultado desse produto descartável. Vocês entenderam o que eu estou falando? Poderiam encenar uma pequena palha de algo nesse sentido do que acabei de dizer? 

A BUFA

_Você é muito calado. Isso me assusta. Mas não é sobre isso que eu queria falar sabe. Eu nunca gostei de você cara. Eu senti um pouco de pena no começo, por ver que você tava morando na rua, que havia sido expulso da cidade, mas não tem como, seus poemas são ruins de ler, artificiais criações de sua subjetividade perdida. E o pior de todos os defeitos, eu falo com você e você fica com essa cara de merda. O pior de tudo é que você é chato. Você não consegue me fazer rir, sorrir, enfim, você só me traz preocupação, e eu sou eternamente feliz, eu vivo e transbordo felicidade e você é muito negativo, estranho. Uma mulher precisa de risadas. 

O POETA

_Você adora rir de mim? Da minha situação lamentável? Da minha poesia barata? Eu não sou, eu não existo para ser objeto da sua satisfação social, eu nunca prestei pra você, sou machista, burro e tenho limitações fundamentadas. Eu sou um lixo que não presta pra trepar, não presta pra fazer você rir e só toca você no sentido ruim. 

A BUFA

_Meu bem, eu sou uma pessoa feliz sem você, eu não preciso de você, muito menos de ficar ouvindo você chorar em como a vida é cruel. Isso me cansa cara, me dá um tempo. Eu tenho muitos amigos, diferente de você eu não dependo da caridade de ninguém, e a verdade, a mais pura verdade é que você sabe que eu sou sua amiga, eu vou ser sempre sua amiga, você é legal as vezes, eu só não quero mais ter noites de amor ardente com você. Você é burro meu bem?

O POETA

_Você me odeia não é? Até hoje ninguém fora tão extravagante e ousado para me dizer tantas coisas. Eu não poderia supor que isso fosse possível. Mas é o ódio venenoso que corre nas suas veias.

A BUFA

_Sim, eu odeio você. É visceral meu ódio quando você critica o espetáculo e reduz tudo à mera poeira comercial, incluindo eu, a atriz, você critica meus amigos de palco, o trabalho que eu faço como palhaça, mas olha só, quando saímos juntos, apesar deu pagar tudo, porque você é um quebrado morto de fome, você age de forme rude, grosseira, extremamente lacônico, desagradável. Você deveria fazer terapia. Está indo ao psicólogo? Você está sendo uma despesa muito grande em todos os sentidos e eu nunca quis levar isso à frente a não ser por pena de você. Mas eu tenho que ter pena de mim, ainda mais que você vem demonstrando ser um bruto insensível, seus dentes podres e cheios de tártaro me dão vontade de vomitar. Eu só poderia estar louca no momento em que eu trouxe você pra minha casa, pra minha vida, e eu posso provar que estava louca. Desculpe, eu acho que tenho medo de você, desculpe mas é a verdade. Eu sou apaixonada por outra pessoa, e, no fundo, eu só achava o seu pau gostoso. Mas queria  que você entendesse que somos amigos. Pra sempre não é? Fala pra sempre: Fala. 

O POETA

_Eu amo você.

A BUFA (após uma longa gargalhada)

_É a coisa mais engraçada que eu já ouvi na vida. Você não tem espelho meu bem? Eu falei pra você não se apaixonar por mim. Eu também não me importo com o que você sente ou não sente por mim. Foda-se o seu amor, da minha vida eu sei cuidar muito bem. E eu sei usar o desprezo como arma letal, porque eu queria que você se sentisse um lixo perto dos meus amigos, eu falo pra eles que você está insuportável, é um machista desgraçado e que qualquer hora eu vou acabar chamando a polícia pra você. Você é estúpido meu bem, e a burrice merece o desprezo que tem. 

O POETA (de cabeça abaixada, olhando para o chão)

_Sinto muito por ter aparecido na sua vida. Sou um parasita ridículo e digno de ser desprezado. 

A BUFA (rindo enquanto fala)

_Ah! A criança vai chorar? Suas lágrimas são tão insignificantes quanto o lodo que escorre sob meus pés. Olha bem aqui pra mim: Eu odeio você. Entendeu?

O POETA

_Eu nunca imaginei que você pudesse ser tão fria.

A BUFA

_Falta de imaginação é um defeito imperdoável para os poetas. Quer saber? Você nem tem o pau grande. Só disse isso porque é o que todo homem gosta de ouvir...

O DIRETOR (triunfante e orgulhoso)

_Muito bem, uma salva de palmas para nossos colegas e vamos continuar. Ficou clara a proposta do exercício? Eu achei que o poeta poderia falar mais, e quando rever a gravação, pense que a bufa é a sua mãe, está brigando contigo, impingindo-lhe um castigo moral que o deixa triste. Lembre-se, você precisa despertar o instinto de infância toda vez que estiver atuando. A essência da sua personagem é melancolia. A criança triste e emburrada, gente, prestem atenção nisso, não importam os liames da poesia, o lirismo, arte pela arte, expressão verbal por meio de versos, ritmo, rima e todo o resto. Poesia é um luxo que não interessa a nós nesse instante. Quando você disse "Eu amo você" soou tão superficial como as propagandas de sabão em pó e o cinema. Esta frase não pode ser dita, a não quer que fosse uma ironia, uma farsa, o que parece não ser o caso. Vejamos, quais ideias a literatura carrega a respeito da expressão "eu amo você" ao longo dos séculos, é nosso trabalhar descobrir com pesquisa. Esta frase já foi tão repetida que ela não significa e nem vale nada. Contudo, a resposta da bufa transforma o discurso clichê do poeta em algo cômico, dessa forma sendo possível vender este amor para um público sedento por sensações e emoções. 

O POETA

_No fundo é só isso que importa. Até as emoções podem ser compradas. 

O DIRETOR

_Sim, por isso eu contratei você. E se continuar reclamando posso descontratar. Brincadeira meu amor, olha você sabe que eu adoro você, então vamos trabalhar, esta indo tudo ótimo. Vocês dois agora, vamos tentar a cena em que o poeta é expulso da cidade. 


Thursday, 24 September 2015

Cogito ergo sum armatus

And Tupac said in one of his songs named "This ain't livin": "I've never pulled the trigger. I didn't touched that bitch". It was recorded by a huge Corporation and sold by the millions.
Who is Tupac Shakur? Type on Google and make a research about an American rapper and you'll find everything you need.
Another quote from a music called "Hit em' up": "First off, fuck your bitch and the clique you claim.." And the american artist continues "You claim to be a player but I fucked your wife". The low tone used in his song is a contrast with his protesting voice. He demonstrates in his music he was sexist, had a personal like for low level words and singed "drunken as a mad man", or in other song "maybe I'm mad man".
One impressive music comes from the disc "Picture my pain", a song named "Neva be Peace". Let's us see some part of this poem:
 
Now of course I want peace on the streets
But realistically
Painting perfect pictures ain't never work.
My misery was so deep
Couldn't sleep through all my pressures.
In my quest for cash
I learned fast
Using violent measures
Memories of adolescent years
There was unity
But after puberty we brought war
To our community
So many bodies dropping
Its gotta stop
I want to help
But still I'm stepping
Keeping my weapon
Must protect myself
The promise of a better tomorrow
ain't never reach me
Plus my teachers were to petrified in class to teach me
Sipping thunderbird
And grape kool-aid
Calling Earl since my stomach was empty
It seduced me to fuck the world
Watch my 'lil homies
Lose there childhood to guns
Nobody cries no more
Cause we all die for fun
So why you ask me if I want peace
If you cant grant it
Niggas fighting across the whole planet
So we can never be peace
Chorus:
 
Will there ever be peace?
Or all we all just headed for doom,
Still consumed by the beefs,
And I know there never be peace,
That's why I keep my pistol when I walk the streets
Cause there can never be peace
Tupac Shakur is invoking, in this specific music, "Neva be Peace", a philoshopical principle of Nicolo Machiavelli: Cogito ergo sum armatus (I think therefore I am armed). "Makiaveli was also another nickname of Tupac Shakur. Now of course I want Peace on the streets, however, painting perfect  pictures ain't never work..." What a man can do when his stomach is empty and he sees another men driving Ferrari? He becomes envy, jealous, sad and start to dream as a super hero of the streets, someone which will produce profit under the cost of blood and drug dealing. Who is the character of this song? The criminal is the reference tupac used to talk about society, when he says something about his belly being empty, only to finish this thought.
Tupac is making reference to the violence in the hood. He was borned and raised on the streets "Educated on these cold streets",  in a poor hood and everyday he was obliged to see shootings, whores, intolerance of police and bandits, drug dealing, and a lot of good people dying because of drug dealing. "Lost all my homies over cocaine".
 Tupac was conscious of his role on society, and as an artist of words, he dare to express his most deep emotions trhough poetry of combat, trough what is so called "Rap", a living part of the hip hop culture, as much as the dancing and the wall painting.
Tupac wished his own neighboorhood were less violent, but he's not alienated by massive culture and do not buy illusions from the Market of propaganda, and, in Tupac's point of view, talking realistically, there will never be Peace.
"In my quest for cash I learned fast, using violent measures, memories of adolescent years. there was unity, but after puberty we brought war to our community". 
Tupac put himself in the place of the thief, or the drug dealer, because otherwise "in my quest for cash I learned fast", in his wish for a better life for himself and his own Family and friends he used violent meanings to achieve products as clothes, food, games, art, music, pay the bills, etc.
In his desire to consume more products he got himself trapped in the dirty game of crime. In order to profit as an outlaw, "the end justify the means", and this modern Robin Hood brings war and sorrow to his own community and perhaps evem to himself.  
"Keeping my weapon, must protect myself". The character of this song does not recognize the State of Law neither as a savior nor as a protector. In other words, protection does not come from Police, it comes from the fact he's armed (Cogito ergo sum armatus).
"Nobody cries no more, because we all die for fun". Being armed is condition sine que non for one's security. A philosophical belief ot Tupac. Everybody is cynic because violence became part of our daily lives, sold by the millions for the press, notices of endless conflicts and deaths turns the citizens frozen, they Wake up in the morning and see a body in front of their house. And Tupac recognizes that they are dying in the search of fun, comfort or a life everybody should deserve, this life of luxury above everything cost many lives: Thug life as he used to call. Try to Exchange positions between the noun and the adjective of the quoted sentence.
He is very objective in his conclusion: Niggas fighting across the whole planet, so we can never be Peace (Si vis pacem, para bellum). He wishes a more just society but he's not nayve to deny reality: The world is really cruel and violent, and it's not only in his hood, it seems violence consumes the world, and in this quest for cash humans are killing each other. Quest for power. Quest for fame. Quest for reason. Does Tupac comprehend the capitalism and complexity of society as a poet?
Tupac says more than that. As long as we will never be Peace, I must be armed to protect myself: That's why I keep my pistol when I walk on the streets, cause there can never be Peace.  
And also from the same disc "Dear Lord can you hear me? I keep my finger on the trigger cause some nigga tried to killed me". The revolutionary scream of "Mamma raised as a thug nigga (with love) I'm millione started as a drug dealer".
 
 
To continue
 
 
Clarissa Lake - Hip Hop

Monday, 31 August 2015

Kalon Kakon

Brazil_________________________________________________________

5514
United States of America___________________________________________

            2433
Russia_______________________________________________________

 544
Germany______________________________________________________

          541
Japan_____________________________________________________

 150
France____________________________________________________

          133
Ukraine________________________________________________________

     130
Poland___________________________________________________________

          65
United Kingdom_________________________________________________


 58
Malaysia_____________                                                                                                         57




Kalon Kakon viewing history from 2013/January to 2015/August present day


Clarissa Lake - USA, Russia, Germany and Poland - European curiosity



Wednesday, 26 August 2015

Go

I never forget what is the objective of this text. Write another phrase. Light other cigarette. I stopped writing because I wanted so. Why do I write? Because I am human. Sometimes I feel thirsty. Today outcasted and homeless. Poor wine and bread do not sustain my breathing.
I dare to say love. Once I know this emotion whitin, spikes of a burned rose beneath my flesh, fragment of despair, I can write.
A text is not only produced with love. It requires disposition and a true feeling. It is impossible to represent it if you never knew the waves of goodness provided by love. I wish God have mercy of those who ignore love. I also believe there is an special place reserved in hell for them.
When the heart beats I am sure it is a machine gun. I like the exercise of creation, the possibility of a new idea, another scheme for representation.
Why do I write?
Because I read. Poets use to change physichal matter into beauty. Destroy the wild nature in order to transform trhough chaos and organization, literature. Why do I write? Because I wish so.
I have been accused of reading Cervantes. And Goethe. Shakespeare. When I use the word "terrorist" in my texts some kind of people see missiles and granades.
I believe it is the job of a writer to move the imagination of the reader from one place to another. Create illusions that it won't hurt. Fiction. Day after day my concern over the reading skills of my countrymen is bigger. Can people REALLY read without preconceptions?
The objective of a fiction text is to light people's mind. Make them imagine the impossible: When Moses opens the sea, I really imagine that scene, a powerful man guided by God, in order to save this Family and people. When Athena pushes the hair of Achilles to avoid the madness of the hero __he was angry and ready to kill his best friend Agamenon, I really imagine that scene, even being quite sure it is impossible to manipulate the will of nature as Moses did and Gods do not exist, unless as a representation.
The Cinema also had had imagined scenes of Homer and putted into screen. But nobody can control a text. Not even his own writer. A friend of mine have Faith my little black cat, Pluto, is the reincarnation of Devil. If it was a dog I could say he was reading Faust. It is not the case
Sometimes people really believe what they are reading. They have Faith that the words in the text are real as the newspaper. I have something to say about it: I am so sorry for these unhappy and lonely hearts.
I was going to criticize them but I gave up. Each reader has its own time of comprehension. Why do I write? Because I love, my heart beats and I want to look the beautiful sky and live. But I feel myself sad. I cannot even make a joke with this situation. Sometimes it is not only ignorance. Sometimes it is some disease of mind, a incapacity of creativity and a peculiar form to use the imagination: through reality. See reality as a fiction. The incapacity of absorbing poetry of literature is pathologychal. I don't know if the word is correct, there are no dictionaries around and this is my favorite exercize.
My objective is to create fiction, not lies. Lies can damage people and I don't like it. I hope there is something beyond the text called Justice, which is the natural remedy for liars.
The case of mental disorder I respect. One watches over literature and start to SPEAK in real life things that never happened. This is sad and I don't wanna talk about it. Why do I write? Because I am monster. A heartless son of a bitch.

Monday, 4 May 2015

Moon

Do you know why the moon shines so beautifully?
Because there are no human beings there.


Clarissa Lake - Movement of earth is noiseless 

Sunday, 19 April 2015

Situation

I would like to introduce this line saying a few words over error. This phantasm of creation which declares itself King of our spirit, commander of all rules. The universe it's an absurd sequence of errors. How common became to speak you are wrong. 
I write to deal with mistake and delusion. My aim is to commit a series of grammar and syntax errors. The text has a purpose. It wants to communicate a message. To get the code of this message, the other person must know what is wrong. 
Communication is only possible because of mistakes. Reading a text is like filtering its errors. Significant. How do we get this magical significant? How one can certainly assure that what is written is this or that?
Hence we all have knowledge of English grammar we are playing the same game. If I dare to say "Go fuck yourself", you know I'm offending you directly. 
How do you get this significant, how do you extract an iconic symbol of a simple sentence? By having the words carved in your heart? Perhaps because we were through school system? How do you get the signs of the text for yourself and claim to be the master of interpretation? Because you know error. 
How can I judge error? Making a lot of mistakes is the best part of the creativity process and free intellectual production. Since I'm not a candidate to lord Sith, what I meant is there no one to guide me in the purpose of making mistakes, I take the chances and consequences and eventual risks.
Life is a constant risk. The error. The essence of this dramatic point of view. A few more lines and we still do not understand each other. Most of my errors are debt of my inaccuracy with English language. 
To do what I wish it's necessary to commit errors. Errors is the part which forms the whole system. Every system without rules is faded to be destroyed. Discipline arises freedom. Grammar is the best example. From a couple of rules I can speak with anyone who knows it. It's a system forged by rules and sustained for them. The laws of language give me liberty to speak in a manner I never thought it was possible. I never thought I could write without thinking in my own mother tongue. 
Sometimes I'm thinking I'm going insane, because I really think in English, specially when I am writing. I can make mistakes and not feel guilty about it. The process of learning is formed and shaped on errors. In this matter of speaking, of course. I do not feel guilty of making syntax mistakes.
This is an original communication, of a very original person. A person which had learned and growth under mistakes. The mistake of love. The fatal perfume of friendship.
It's one ability I own. I do not care for mistakes. To make mistakes is to be human. I like to feel human. I like to feel that I'm going to die someday, and I wanna do more than simply produce for others. Produce to the family, produce to the institution, produce for profit, produce for care, produce for love. I am out of this freak and competitive game. 
I want to produce something which can change the world. It begins changing myself. Changing my way of thinking and my perception over the nature and the world. Sensitive. 
The one who started writing this text is dead a long time. He had a sick obsession for a woman. He died because he had hope she one day could call him. I will not grief this ancient writer. He deserved everything that happened to him. Even more pain. 
It's easy to keep talking "I love you", when he had the chance he was very violent. He was trying to forget but a woman never forget this kind of violence. Writing is a way to denounce. A way to make things clear. 
One day, this poet fevered in love, push his flower and she almost felt on the ground. That day she tried to break with him, because he deserved go to jail for such action. Yet, it was not enough.
The Shakespeare in love told her one day he was going to put a bullet in her head if she dare to stay with another guy. Very lovable. For an artist everything seems dream. For a woman the situation is serious. There are errors we must not forgive. Errors that exist beyond the lines and the meaning of a text. It doesn't matter how sheep one might appear or look like, it shall not be treated as one of a kind. You know a wolf when it show its claws. They can hurt and they are not poetic. They are not lying cool and smooth beneath the violin caprice.
My error was to love you. I will not forgive myself for that. Consequently, I will never forgive you. You hurt when we were together. I write to forget the pain. I try to make mistakes which cannot cause physical pain. I write to breath under my errors. I look to them as small statues flowing in the sea. A new life is possible. One brick at a time, one word at a time. One mistake can change everything. I am able to recognize error. I was not a perfect woman. But no woman deserves violence and this is not an easy thing to erase. 
It's not a syntax matter. It's not a lion hidden on the lines. 


Clarissa Lake - Situation 

Tuesday, 14 April 2015

Playlist III

1 - Dmitri Shostakovich - Symphony No 1 in F minor, op. 10

2 - Dmitri Shostakovich - Symphony No 2 in B major, op. 14 (To October)

3 - Dmitri Shostakovich - Symphony No 3 in E flat major, op. 20 (First of May)

4 - Dmitri Shostakovich -  Symphony No 5 in  D minor, op. 47

5 - Dmitri Shostakovich - Symphony No 7 in C major, op. 60 (Leningrad)

6 - Dmitri Shostakovich - Symphony No 10 in E minor, op. 93

7 - Dmitri Shostakovich - String Quartet No 5 in B flat major, op. 92

8 - Dmitri Shostakovich - String Quartet No 8 in C minor, op. 110

9 - Dmitri Shostakovich - Suite for jazz orchestra No 1

10 - Dmitri Shostakovich - Lady Macbeth of the Mtsensk District, op. 29 (Katerina Izmailova)


Clarissa Lake - The best of music

Playlist II

1 - Sergei Prokofiev - Violin concerto No 2 in G minor, op. 63 

2 - Sergei Prokofiev - Cantata Alexander Nevsky, op. 78

3 - Sergei Prokofiev - Opera War and Peace, op. 91

4 - Sergei Prokofiev - Symphony No 5 in B flat major, op. 100

5 - Sergei Prokofiev - Piano concerto No 3 in C major, op. 26

6 - Sergei Prokofiev - String quartet No 1 in B minor, op. 50

7 - Sergei Prokofiev - Ballet Romeo and Juliet, op. 64

8 - Sergei Prokofiev - Peter and the Wolf, op. 67

9 - Sergei Prokofiev - Symphony No 1 in D major, op. 25

10 - Sergei ProkofievThe Love for Three Oranges - Satirical opera, op. 33


Clarissa Lake - Sergei Prokofiev 

Friday, 10 April 2015

How to read a book III

I - THE ANALYSIS OF A BOOK'S STRUCTURE 
1. Classify the book according to kind and subject matter.
2. State what the whole book is about with the utmost brevity.
3. Enumerate its major parts in their order and relation, and analyze these parts as you have analyzed the whole. 
4. Define the problem or problems the author is trying to solve. 

II - THE INTERPRETATION OF A BOOK'S CONTENTS
1. Come to terms with the author by interpreting his basic words
2. Grasp the author's leading propositions through dealing with his most important sentences.
3. Know the author's arguments, by finding them in, or constructing them out of, sequences of sentences.
4. Determine which of his problems the author solved, and which he did not; and of the latter, decide which the author knew he failed to solve.

III - THE CRITICISM OF A BOOK AS A COMMUNICATION OF KNOWLEDGE
A. General Maxims
1. Do not begin criticism until you have completed analysis and interpretation. (Do not say you agree, disagree, or suspend judgement, until you can say, "I understand.")
2. Do not disagree disputatiously or contentiously.
3. Respect the difference between knowledge and opinion, by having reasons for any critical judgement you make. 
B. Specific Criteria for Points of Criticism
1. Show wherein the author is uninformed.
2. Show wherein the author is misinformed.
3. Show wherein the author is illogical.
4. Show wherein the author's analysis or account is incomplete. 

Clarissa Lake - Mortimer J. Adler - And Still More Rules, pg. 266-7 - Simon and Schuster - New York, 1966

Tuesday, 7 April 2015

How to read a book II

He who regards conversation as a battle can win only by being an antagonist, only by disagreeing successfully, whether he is right or wrong. The reader who approaches a book in this spirit reads it only to find something he can disagree with. For the disputations and contentious, a bone can always be found to pick on. (pg. 245)
(...) But if he realizes that the only profit in conversation with live or dead teachers, is what one can learn from them, if he realizes that you win only by gaining knowledge, not by knocking the other fellow down, he may see the futility of mere contentiousness. (pg. 246)

The ignorant often foolishly disagree with the learned about matters exceeding their knowledge. (pg. 247)

(...)The trouble is that many people regard disagreement as unrelated to either teaching or being taught. They think that everything is just a matter of opinion. I have mine. You have yours. Our right to our opinions is as inviolable as our right to private property. On such a view, communication cannot be profitable if the profit to be gained is an increase in knowledge. Conversation is hardly better than a ping-pong game of opposed opinions, a game in which no one keeps score, no one wins, and everyone is satisfied because he ends up holding the same opinions he started with.
I cannot take this view. I think that knowledge can be communicated and that discussion can result in learning. (pg. 248) 

If an author does not give reasons for his propositions, they can be treated only as expressions of opinion on his part. The reader who does not distinguish between the reasoned statement of knowledge and the flat expression of opinion is not reading to learn. He is at most interested in the author's personality and is using the book as a case history. Such a reader will, of course, neither agree nor disagree. He does not judge the book but the author. (pg. 249)

 The great writers have always been great readers, but that does not mean that they read all the books which, in their day, were listed as the great and indispensable ones. In many cases, they read fewer books than are now required in some of our better colleges, but what they did read, they read well. Because they had mastered these books, they became peers with their authors. They were entitled to become authorities in their own right. In the natural course of events, a good student frequently becomes a teacher, and so, too, a good reader becomes an author. (pg. 264)


Clarissa Lake - Mortimer J. Adler - How to Read a Book: The Etiquette of Talking Back and The Things the Reader Can say - Simon and Schuster - New York, 1966

Sunday, 5 April 2015

au contraire

It could be nice to read a text of yours.


Lake, Clarissa - Academic point of view


Since there is none, I will keep writing.
Until I get too much bored.
Shifts bloody moon for a half of my being
A mirror stands. Can you hear it?
The silence of the universe
Flowing over your head
Soon will come the blazing meteor
Destroy everything you knew.
Kids playing in the park,
Old woman crossing the 5th Avenue
The rainbow trying to appear
Exchange my words for a more syntactic point
There is a flower in the corner of the street
No one saw it, but like a child, I smile
I did see the spikes and the red couple of wine
After the simple sentence,
Comes the compound one.
Perhaps if comes many verbs, a complex sentence.
What is the deal of grammar anyway?
This is a bomb poem
His author, poor dynamite.
I should erase all of this.
I really don't know the meaning of danger.
Maybe I'm mad woman.
Maybe I'm just a piece of paper, trying to whisper,
trying to catch the clouds and swing in the river.
Too much water may wash my what and how
Repeat the same phrase again
So the reader knows this is a damn poem
Soon will come the blazing meteor
It will destroy your heart, it will wash your soul
On thousands tones of the same.
Freud may explain why I am like this or that
No matter what you do for life,
Do not smoke cigarettes. They stink, cause cancer, make you old,
less attractive, less confident (specially on bed...),
Marlboro: The power of propaganda:
Hey Lady would you like to buy some poison?
I hate poison!
But this one poison can make you look beautiful!
A cigarette is all your alter ego needs?
What? Says the client, almost thinking the dealer is joking
A cigarette is everything you need to be happy?
Maybe...but what about this poison?
Do not worry! Enjoy your life while you can
Please light this Napalm to make your life happy!
If the propaganda is good enough you can sell poison as pop corn
It's all the same market, which us poets belongs
Cigarettes are disgusting and I hate people who smokes.
They should remember they won't have a future
They are already in deadline, one after another, carried to hell.
Do not worry about your future, smoker
Die, but try to die alone. I don't wanna see your emphysema.
Look for pictures and videos in Google
Older poets used to smoke
Where they are?
They are sleeping
In silence
And deep sleep.
Smoking in another world. Writers are bad propaganda
They are paranoid, vicious, lascivious, not so fun, not so social people,
They love more alcohol then people and are the great hero of our adolescents heroes
Tell me what you read and I tell you who you are
I am Miss Lake and not one can take
Take what? Take what? The read desperate, says it's a horrible poem
Finish my poem yourself.
I would let some lines so you can write your poem with mine
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Lake. Take. Make. Sake. Fake. I give you some rhymes and
Try to make some of your own. Democratic enough?
Reverse all controversy
Invert the verse
Break the rule
Go away
Find happiness among a helmet of spikes
Why I cannot reach her? An specialist in discourse matters?
I cannot reach her because she had has suspended judgement.
Suspending judgement is an act of criticism. She is taking the position
that something has not been shown. She is saying that she's not convinced
or persuaded on way or the other.






Wednesday, 1 April 2015

Final Chapter - April fool's day chapter

I'm afraid the age has come. I am not so strong as I used to be. I do not have focus, I cry a lot and I still remember a past which has nothing in common to the present. The truth is that I suffer from mental illness.
I saw a girl in the University and I had this dream that I have met and loved her. But none of this happened. This one girl or woman doesn't even know me, she never saw my face or heard my voice.
It is kind of sick to love something that only exist in my mind. While I speak, they are trying to find me a therapist. 
It was too much imagination which created this fantasy of love. There are no such things out of my head and I confess I am sick. I just saw the woman! Where was my mind? My mind created such a wonderful story about this girl, as we had loved each other for a long time and separated tragically, as in romances. 
I will keep taking my medicine. I am furious and angry, after all. Platonic love and psychotic tendency. 
Even if I could, it's like to love a girl that you saw in a magazine. She will not respond, smile or do anything. Only your mind gives soul to that little image. Wings to imagination.
The girl of the weekly magazine shall never look to a guy like me. Like I said, age has come and I can feel it. Wrinkles, marks of alcohol, drugs and bad nights of sleep. Dark circles surround my eyes and my ill heart. 
I've never been so fat. I've never been so ugly. I woke up today not loving myself. I look to the mirror and I feel disgusting. Fat, wrinkles, without any cash inside the bank, without family or kids. I am what people use to call loser. I do not have  any hair in my head anymore. My photos of Facebook were from a time where I used to have a big hair, as a lion. I was so beautiful but I didn't know. I know now that I feel shame of my body. The photos of facebook do not express reality.
I did nothing at all in my life. It was a waste of time. Only dreaming with something that never happened. Today I'm fat and broken and when a woman see me in the streets, she runs away. Dark circles around my eyes. 
This is all because I have hope: the most stupid feeling one could have. We pass our lives always hoping, always waiting for some magical day which never happens and the frustration grows fat as my belly. 
Hope. I have hope but I do nothing to change the poor situation. I feel shame of myself. An old and solitary man which still is a dull undergraduate student. I have no future at all. I am lost in the space. Why? Because I'm too old for profession. I am not like wine, I am not getting better with time. 
Today is the day I will definitely quit writing. There is no need to put my shame on public. Today is the day I will live this problems for those which enjoy to live here, for those which are really happy, because God loves them, they have a family, father, mother, uncle, friends, girlfriends, boyfriends. I have nothing and I feel envy. I can't never achieve happiness. I don't deserve to be happy. This is why I am leaving the stage. The actor is tired of so much hatred and passive actions. I will do this because I am certain nobody will ever miss me. And it will cause a cost to the State, because I do not have a cent for my own funeral. Like I said, I'm loser and I don't deserve to be here. This world is a place for happy people, and I am deeply unhappy. 
I want to get away from here right now. With no applause or crying mother. Because I don't have one. I never had a mother and the one I had tried to kill me with medicine. I survived because I'm stupid. I survived to get a mental illness which torments me night and day, a phantom of a woman which never knew who I am, and this is a good thing for her! I could disturb her peace, interrupt her career, make her cry as I always do. 
I am not asking... This is a cruel world, a cruel play and I'm leaving the stage! Bye and do not cry for me, because you didn't cry when I was alive and lonely. Do not cry when I go. It's not because of you, or this, or that: It's because I'm sick and everybody knows it. Now people will have peace. The world is a better place without me. Bye and do not remember me, do not visit my grave. It was only my dream! My dream! 
Enough of publicity: time to move. Time to disengage this carbon carapace into thousands fragments of rotten meal. May the worms be glad with my flesh. 


Clarissa Lake - Bye